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SUA RECUPERAÇÃO EM 12 SESSÕES 1/29/2010

 

O tratamento abaixo será realizado a partir de março na sede do APOIAR. O responsável pelo programa será o Dr. Ari Pedro Balieiro Júnior, psicólogo, professor com mestrado em Lingüística pela Unicamp. O Dr. Ari já vem realizando um trabalho de apoio ao nosso grupo há mais de seis meses.

A Terapia Cognitivo/Com-portamental (TCC) para transtorno de pânico é um programa de tratamento psicológico, primariamente desenvolvido por David Barlow, no Center for Anxiety Disorder of Boston, baseado nas propostas teórico-práticas desenvolvidas por Aaron Beck no Centro de Terapia Cognitiva da Escola de Medidina da Universidade da Pennsylvania, em Philadelphia - USA.

Vários estudos, conduzidos nestes dois centros, constataram que a TCC é um tratamento efetivo para distúrbios do pânico, ansiedade e depressão, para a maioria dos pacientes, sendo também em alguns casos, tão efetivo quanto medicamento.

O programa de tratamento consiste nos seguintes componentes:

1 - Educação

2 - Reestruturação Cognitiva

3 - Treinamento da Respiração

4 - Exercícios de relaxamento

5 - Exposição a situações ansiogênicas

6 - Exposição Interoceptiva

Cada componente objetiva aliviar os ataques de pânico, a evitação agorofóbica, a ansiedade crônica e a depressão comumente associados com o distúrbio do pânico.

Para um paciente específico, podem ser utilizados somente aqueles componentes que sejam importantes para o problema daquele paciente.

A seguir, descrições breves de cada um

dos componentes:

1 - Educação

Consiste em ensinar ao paciente o que é, como surge e se desenvolve o transtorno de pânico. Entender as prováveis causas da doença, seus efeitos no corpo e mente, é parte importante do processo de recuperação.

2 - Reestruturação cognitiva

A maior parte do tratamento é dirigida a corrigir a maneira distorcida de pensar sobre os ataques de pânico.

O objetivo é fazer os pacientes mudarem suas reações aos estímulos emocionais e aos sintomas do pânico, além de aprender a lidar efetivamente com a ansiedade provocada pela crise.

Com a ajuda do terapeuta, os pacientes começam a perceber o papel da cognição, e a reavaliar os sinais, sugestões e ênfase que colocam na ansiedade e nos ataques. Durante as primeiras sessões de terapia é pedido ao paciente para auto-monitorar os pensamentos, crenças e pressupostos, durante uma situação que provoque ansiedade ou ataques de pânico.

Os pacientes irão, repetidamente, desafiar seus pensamentos disfuncionais durante o tratamento.

No final do tratamento geralmente de 12 a 18 sessões os pacientes deverão ter aprendido a reavaliar a verdade dos seus próprios pensamentos e, quando estiverem distorcidos, mudá-los para outros mais racionais.

São enfocadas principalmente as interpretações catastróficas dos sintomas do pânico – a crença de que as sensações físicas são sinais de morte evidente.

3 - Treinamento da respiração – neste componente, ensina-se aos pacientes como respirar devagar e regularmente, o que previne hiperventilação e as desconfortáveis sensações físicas causadas pelo pânico e pode até desarmar o gatilho que inicia o ataque pânico.

4 - Exercícios de relaxamento – que implica executar sistematicamente um processo de relaxamento progressivo dos músculos tensos, aprendendo a monitorar a tensão e descontrair a musculatura, pois sabe-se que um grau baixo de tensão muscular está intimamente ligado aos níveis menores de ansiedade.

5 - Exposição – consiste em, de maneira planejada, estruturada e repetida, expor-se à ansiedade e a situações que provocam pânico.

Cada paciente faz uma lista das situações que lhe provocam ansiedade ou pânico. Esta lista é escalonada, começando pela situação mais fácil de enfrentar até aquelas que o paciente nem consegue pensar em enfrentar. Depois de ter aprendido várias técnicas e estratégias para lidar com o medo e as sensações associadas, o paciente começa a expor-se às situações, começando com as que causam menos medo e evoluindo para outros níveis mais elevados.

Este componente geralmente ocorre no final do tratamento, uma vez que o paciente sente-se mais confiante e já deverá ter controle sobre os ataques de pânico. O objetivo da exposição é eliminar os problemas associados ao pânico, como a agorafobia, o comportamento evitativo, a fobia social, etc.

6 - Exposição Interoceptiva – às vezes, pode ser feita a chamada Exposição Interoceptiva, que consiste na exposição planejada e repetida do paciente às sensações do pânico. Esta técnica torna-se necessária quando o paciente não consegue conviver com sensações corporais não perigosas, como aquelas causadas por exercício, agitação, ingestão de cafeína.

Baseado na lista de medos do paciente planeja-se a exposição sistemática, em ambiente controlado, do paciente à sensação, que pode ser produzida pelos mais diversos métodos, como por exemplo, hiperventilação controlada ou exercício físico.

O tratamento é para você?

Como você pode ver, o tratamento requer uma grande quantidade de trabalho. Desta forma somente os pacientes que estejam realmente dispostos a enfrentar o problema devem se inscrever para participar dele. Praticar em casa é parte essencial para ficar melhor. Você pode sentir que o tratamento em si provoca ansiedade. E você se pergunta: porque vou querer ir a uma situação que vai me causar ansiedade.

Na opinião do Dr. Barlow e de outros especialistas, para vencer o medo é preciso enfrentá-lo. Este enfrentamento, no entanto, deve ser planejado de forma que o paciente consiga realizar as tarefas de cada etapa, para que o êxito em uma etapa contribua para motivá-lo a cumprir a outra. Assim, o paciente passará de uma fase para outra do plano de exposição somente quanto estiver preparado e sentindo-se confortável.

O papel do terapeuta

Os pacientes são encorajados pelo terapeuta a vencer seus problemas, mas ninguém é forçado a fazer algo para o qual não esteja preparado. O terapeuta deve entender e aceitar o intenso medo que é provocado pelo transtorno de pânico.

O objetivo do terapeuta é preparar o paciente para lidar com cada passo de maneira efetiva usando as técnicas descritas acima.

O paciente e o terapeuta mantém um relacionamento amigável e colaborativo.

A terapia se foca no problema presente e no seu alívio. Quem se dispõe ao compromisso de trabalhar duro geralmente obtém bons resultados.

Este tratamento é indicado para pessoas com fobias, ansiedade generalizada, fobia social, estresse pós-traumático e comportamento obsessivo, além de depressão de acordo com estudos do National Institute of Mental Health dos Estados Unidos.

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