1 2 3
Artigos

BIPOLAR EM CRIANÇAS

Silvana Prado

Um grupo de pesquisas patrocinado pela Child and Adolescent Bipolar Foundation (CABF) acaba de criar um manual para se fazer o diagnóstico e tratamento de crianças com Transtorno Bipolar (TB).

O que chama a atenção é que este guia traz uma fundamental mudança na definição da doença. “Médicos estão melhorando no reconhecimento do TB em crianças, mas não existiam muitos direcionamentos para o tratamento, diz o autor do estudo, Robert Kowatch, do hospital central de Ohio (USA); é, no geral, necessário usar diferentes combinações de medicamentos porque estas crianças estão muito doentes, frequentemente pensando em suicídio e muitas a fase da mania ou da depressão são tão intensas que as impedem de ir para a escola. É importante estabilizar o humor delas e permitir que voltem à escola e a uma vida normal.”
Estas regras gerais foram elaboradas com base em estudos publicados, casos clínicos, e um consenso realizado por especialistas. Ele endereça o Transtorno Bipolar em crianças e jovens entre 6 a 17 anos e sugere estratégias para o tratamento de mania e depressão, com ou sem psicose em pacientes jovens.
As quatro sessões do manual incluem: diagnóstico, cormobidade, severidade e continuidade do tratamento.
Pouquíssimos estudos foram realizados para o tratamento de TB em jovens; por isto, este manual representa um grande progresso, para médicos e pacientes.
TB, antigamente, conhecido como doença maníaco – depressiva, é uma doença hereditária que pode acontecer em crianças e jovens. Sintomas podem incluir:
•Sentimentos de grandiosidade.
•Ilusões sobre poder.
•Irritabilidade geralmente acompanhada de agressões a outros e a si mesmo, diminuição na necessidade de dormir sem sentir-se cansado (a) durante o dia, fadiga, a fala desgovernada (muito rápida), conflitos de ideias, distração, que é maior ou menor, dependendo do humor do momento, aumento de objetivos a serem atingidos, hipersexualidade e alucinações auditivas em alguns pacientes.
Este transtorno acontece em famílias, e, crianças com estes problemas correm alto risco de tentativa de suicídio. Estas crianças sofrem muito e merecem um tratamento que seja efetivo, diz a coautora do estudo, Martha Hellander; muitas respondem rápido ao tratamento e os pais sentem que elas voltam a serem elas mesmas.
Estratégias, em longo prazo, para tratamento de bipolar incluem: medicamento, psicoterapia e mudanças no estilo de vida da criança ou jovem, incluindo: redução do estresse, dormir regularmente, acomodação na escola e evitar cafeína, álcool e drogas ilegais.
Tratamento com monoterapia, usando medicamentos para estabilizar o humor, como LITIUM, DIVALPROATO e CARBAMAZEPINA e anti-psicóticos como OLANZAPINA, QUETIAPINA e RISPERIDONA são recomendados como primeira linha de tratamento. Efeitos colaterais como: ganho de peso, mudanças cognitivas e hormonais, necessitam ser monitoradas.
Complicações no tratamento do Transtorno Bipolar incluem alta cormobidade, incluindo déficit de atenção, desvios de conduta, ansiedade, tiques e abuso de substâncias.

Pontos principais do estudo

Quando diagnosticado Bipolar em crianças, médicos devem ter em mente que os sintomas devem ser frequentes e severos o suficiente para causar significantes problemas, a ponto de interferir com a vida normal. Alguns sintomas, como irritabilidade, são comuns a uma série de doenças/transtornos da infância e adolescência. Outros sintomas, incluindo euforia, grandiosidade e fala rápida, podem ser partes normais do comportamento da criança. Outros sintomas, como do aumento em objetivos e atividades e hipersexualidade, com qualquer sinal de abuso, são mais específicos ao TB. O diagnóstico deve ser feito com informações vindas de diferentes fontes: pais, professores e a própria criança.

Todas as crianças com TB devem ser checadas sobre o risco de suicídio; tratamento com lítio tem sua eficácia comprovada em diminuir o risco de suicídio em adultos com TB e deve ser considerado.

Para o tratamento agudo de TB-1, sem psicose, em crianças com idade entre 6 a 17 anos, medicações aceitáveis são LITIUM, ÁCIDO VALPROÍCO, CARMABAZEPINA, OLANZAPINA, QUETIAPINA e RISPERIDONA. Se um destes agentes foi somente parcialmente efetivo, outra droga, desta lista, pode ser adicionada.

Se não houver resposta a monoterapia, medicamento de outra linha pode ser adicionado. Se a criança não responder a duas tentativas com monoterapia, terapia deve ser iniciada, sem haver uma 3ª tentativa com a monoterapia. Eletrochoque ou CLOZAPINA são consideradas últimas opções de tratamento para estes pacientes.

Pacientes com TB já sofrendo de psicose devem iniciar o tratamento com os dois estabilizadores de humor mais um agente anti-psicótico. Em caso de pouca resposta do tratamento, uma terceira droga é recomendada, enquanto mudar a combinação das drogas é recomendado quando não há resposta alguma ao tratamento.

Transtornos como déficit de atenção, Transtornos de Conduta (Delinquência Juvenil), e ansiedade, coexistem com TB em jovens e crianças. Estas condições devem ser tratadas quando o TB estiver estabilizado. Intervenções psicossociais são recomendadas para evitar a exposição da criança a muito medicamento e reduzir o risco de exacerbar o TB com outros medicamentos psicoativos.

As(s) medicações(s) inicialmente usadas para controlar o Transtorno Bipolar, se efetivas, devem ser continuadas para manutenção da terapia. Os autores recomendam pelo menos 12 meses de manutenção antes de considerar diminuir a medicação.

Possíveis efeitos colaterais dos psicotrópicos: aumento de peso, diabetes, dificuldades cognitivas, síndrome do ovário policístico, podem ser devastadoras para crianças, e os médicos devem estar atentos para estas consequências graves.

Quando o Transtorno Bipolar estiver estabilizado, deve-se iniciar psico-educação e terapia para melhora na capacidade de pensar e agir para que tenham melhores resultado do tratamento.

 

voltar